Sábado, 27 de Junho de 2009
MATAR SAUDADES SEM IR...

 

 

  MATAR SAUDADES SEM IR...
Carmo Vasconcelos
 
 
Faz tempo que te não vejo
meu amor não esquecido!
Sei onde estás e é tão perto
basta um passo pra te ver…
Mas inerte o passo certo
do meu ser amolecido
neste querer e não querer
traz lonjura ao meu desejo
 
Porém o meu pensamento
rebelde já se escapou…
Teimoso e impertinente
do meu passo se apartou
e mais célere que o vento
veloz e independente
sem o meu consentimento
fugiu e a ti se abraçou
 
Aquietada no medo
tua lembrança queimando
e o pensamento teimando
na maldade de insistir
em relembrar meu segredo…
Matei saudades sem ir
timoneiro olhando o mar
vendo as gaivotas partir
 
Barco ao cais atracado
ancorado ao seu destino
só com a mente a navegar
o pensamento sem tino...
Vi-me de novo a teu lado
boca a  boca, mão na mão
porém… no mesmo lugar
de pés fincados no chão!
 
***
Lisboa/Portugal/1996
In E-Book “Despida de Segredos”
http://carmovasconcelos.spaces.live.com

 



publicado por Carmo Vasconcelos às 05:43
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
SONETO - OBSESSÃO

OBSESSÃO

Carmo Vasconcelos

 

 

Quem me dera ser lenho, musgo ou seixo

Impassível, sem dor, sem dependência

Do conturbado mundo ser o eixo

Erecto, sem tremor, sem turbulência

 

Quem me dera ser astro, chuva ou vento

Ignorante de amor, da sua ardência

Bastar-me o céu azul como alimento

Imune a esta fome sem clemência

 

Fosse eu um vegetal em apatia

Insensível à dor da solidão

Que decerto o amor não buscaria...

 

Fosse eu despida desta obsessão

Que jamais para ele eu correria

Fosse eu oca de sangue e coração!

 

*** 

Lisboa/Portugal

1º Prémio "Soneto"/ano 1999

 Concurso Literário do Cenáculo Marquesa de Valverde

 

***

 In E-Book “Sonetos Escolhidos”

http://www.delnerobookstore.com/bibliotecas_virtuais/carmo_vasconcelos

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

 

 



publicado por Carmo Vasconcelos às 20:27
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A PALAVRA

A  PALAVRA

Carmo Vasconcelos



Seja escrita ou falada

 seja rimada ou cantada
a palavra é milagrosa
tão milagrosa que a gente

a manipula e a sente
como arma poderosa

Ela é desprezo e amor

estrume, pólen e flor
estrela, lama e chão
pacifismo, violência

pornografia, inocência
praga e também oração

É perfídia, honradez

abnegação, mesquinhez
raiva, beijo e ciúme
também é água da fonte

maré, abismo e ponte
degelo, paixão e lume

Por vezes é alimento

é sol, chuva, fermento
que sustenta e aduba
por outras é sofrimento

luxúria, vício, tormento
e açoite que derruba

Com ela o mundo se espanta

por ser satânica e santa
bálsamo e droga infecta
guilhotina e perdão

liberdade e prisão
vómito de boca abjecta

Pode ser batalha ou trégua

conforme a bitola e régua
do espelho da consciência
também é rosa e espinho

cardo, jasmim e carinho
escravidão, independência

Ela é freira, meretriz

pântano, pomar, raiz
pureza e poluição
é profana e sagrada

afago e chicotada
desavença e comunhão

Mas para mim é um fogo

e um mar onde me afogo
eternidade e momento
êxtase, estupefacção

poema, contemplação
bailado do pensamento

E para todo o Poeta
a palavra é a dilecta

e eterna amante fatal
e o Poeta quando parte

só deixa como estandarte
a sua amante imortal!

 

***

Lisboa-Portugal / 1997

*

In E-Book “Luas e Marés”

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publicado por Carmo Vasconcelos às 20:21
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SONETO - A BELEZA DO POEMA

A BELEZA DO POEMA

Carmo Vasconcelos

 

 

Poema é masculino, como Homem

Não precisa de jóia ou atavio

Se basta de nobreza como um rio

Para que com’ amante logo o tomem

 

Poema não requer traje de gala

Pode até ter andrajo de mendigo

É sua alma rosa ou índigo

Que tinge de beleza a sua fala

 

Humilde, sem vaidade, vê-se ao espelho

Nos olhos vidrados de quem o lê

E é deles que recebe seu conselho

 

Se  esse olhar o afaga... ele crê

Que ao mundo vale a pena se mostrar

Sem vergonha das vestes que usar

 

***

Lisboa-Portugal

In E-Book “Sonetos Escolhidos”

http://www.delnerobookstore.com/bibliotecas_virtuais/carmo_vasconcelos

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publicado por Carmo Vasconcelos às 17:45
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